https://tradicaocatolicaes.wordpress.com/2011/10/15/comentarios-eleison-221-%E2%80%93-orgulho-ancestral/

ORGULHO ANCESTRAL

ELEISON COMMENTS CCXXII (15 de outubro de 2011)

No segundo volume sobre a vida de Jesus, publicado há vários meses, o Papa Bento XVI fez comentários que permitiram aos jornalistas concluir que não se deve mais apontar os judeus como responsáveis de deicídio, i. e., assassinato de Deus. Pior ainda, a 17 de maio, o Director Executivo do Secretariado da Comissão Episcopal de Relações Ecumênicas e Interreligiosas dos Estados Unidos disse que quem quer que acuse os judeus de deicídio, em qualquer momento da história, deixa de ter comunhão com a Igreja Católica. Ao contrário do que muitas pessoas hoje querem pensar, é hora de lembrar, ainda que brevemente, o que a Igreja sempre costumou ensinar sobre o assassinato judicial de Jesus.

Primeiro, o assassinato de Jesus foi verdadeiramente “deicídio”, i. e., assassinato de Deus, porque Jesus era uma das três Pessoas Divinas, e, ademais da Sua natureza divina, assumiu a natureza humana. O que é que se matou na Cruz? Somente a natureza humana. Mas quem é que se matou na Cruz, na Sua natureza humana? Ninguém que não a segunda Pessoa Divina, i. e., Deus. Portanto, matou-se a Deus, e deicídio se cometeu.

Segundo, Jesus morreu na Cruz para salvar todos nós homens pecadores de nossos pecados, e nesse sentido todos os homens foram e são o motivo da Sua morte. Mas somente os judeus (líderes e povo) foram os agentes primeiros do deicídio, porque é óbvio pelos Evangelhos que o gentio que mais se envolveu nos fatos, Pôncio Pilatos, não haveria condenado Jesus à morte, se os líderes judeus não houvessem incitado o povo judeu a clamar a Sua crucifixão (Mt. XXVII, 20). Certamente os judeus instruídos foram mais culpados que o povo ignorante, diz Santo Tomás de Aquino (Summa III, 47, 5), mas certamente todos eles bradaram juntos para que o sangue de Jesus lhes caísse sobre e caísse sobre seus filhos (Mt. XXVII, 25).

Terceiro, pelos menos o papa Leão XIII considerou existir real solidariedade entre os judeus que clamavam a morte de Jesus e o conjunto dos judeus dos tempos modernos. No seu Ato de Consagração da Raça Humana ao Sagrado Coração de Jesus, não fez ele que toda a Igreja, do fim do século XIX em diante, rezasse a Deus para que Ele tornasse os Seus “olhos de misericórdia aos filhos daquela raça, que uma vez foram o povo escolhido de Deus: desde muito eles clamaram sobre si o Sangue do Salvador; possa agora descer sobre eles um batismo de redenção e vida”?

Mas Leão XIII não esteve sozinho no observar a continuidade dos judeus ao longo dos séculos. Eles mesmos não clamam hoje a terra da Palestina com o fundamento de lhes pertencer por direito concedido pelo Deus do Velho Testamento? Já existiu na face da terra outra raça-povo-nação que mais orgulhosamente se reputasse idêntica pelos séculos? Originalmente criada por Deus para ser berço do Messias, recusou em coletividade – que infelicidade! – reconhecê-lo. Também se diz em sua coletividade, porque existem sempre nobres exceções, e porque o povo se manteve fiel à rejeição, e mudou a sua religião da de Abraão e Moisés e do Velho Testamento para a de Anás, Caifás e do Talmude. Tragicamente, a forte preparação messiânica que Deus lhes deu os levou a rejeitar aquele que tiveram por falso messias. Até sua conversão no fim do mundo, como a Igreja sempre ensinou que lhes acontecerá (cf. Rom. XI, 26-27), eles parecem estar obrigados a escolher seguir agindo, coletivamente, como inimigos do verdadeiro Messias.

Como é possível que Bento XVI haja perdido verdades tão antigas? Kyrie eleison.

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