Comentários Eleison 212 – Vitorioso pela Fé

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VITORIOSO PELA FÉ

ELEISON COMMENTS CCXII (06 de agosto de 2011)

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Como resposta às convincentes críticas de Dom Tissier de Mallerais ao pensamento do papa Bento XVI, apresentadas resumidamente nos últimos quatro números desses “Comentários”, o que devemos dizer (Rom. VI, I)? Vejamos três argumentos com que bons Católicos procuram defender o Papa da acusação de que o seu pensamento não é Católico.

Uma primeira linha de defesa afirma, de forma geral, que todo o ataque ao Papa é ajuda aos inimigos da Igreja. Contudo, não é o dever primeiro do papa “confirmar os seus irmãos na Fé” (Lc. XXII, 32)? Assim, se o pensamento de um Papa se afasta seriamente da Fé, o apontar-lhe, com todo o respeito devido, no que dela se afasta, não é atacá-lo ou fazer o trabalho de inimigos da Igreja. É ajudá-lo a ver claro para cumprir seu dever, e a lembrar-lhe o único meio que há para conquistar os inimigos, que hoje são mais poderosos do que nunca: “A vitória que venceu o mundo é a nossa Fé”(I Jo. V, 4).

Uma segunda objeção ao argumento de Dom Tissier, própria de nossos tempos, é a de que o papa é prisioneiro no Vaticano, e que então ele não é livre para defender a Tradição Católica como gostaria. É verdade que os papas pós-conciliares têm sido cercados por influentes dignitários eclesiásticos que são mações secretamente determinados na destruição da Igreja. É também possível que, depois do Vaticano II, magnatas hajam passado a ter, no pescoço do Vaticano, um nó financeiro cada vez mais forte. Mas dinheiro suficiente viria com a verdadeira doutrina, se ela simplesmente fosse proclamada; e Bento XVI teria facilmente vitória sobre os mações à sua volta, se sua fé não estivesse presa aos erros hegelianos. Vitória pelo martírio? Haveria uma série de papas mártires, como na Igreja primitiva, se nós o merecêssemos, e o Vaticano estaria logo liberto novamente.

Uma terceira objeção direta foi aludida no “EC” passado: que Bento XVI ostenta acreditar não só na fé e na razão que se corrigem mutuamente, mas também na fé tradicional. Portanto – continua a objeção -, ele acredita absolutamente em que o próprio corpo crucificado de Jesus ergueu-se vivo com sua alma humana da sepultura na manhã de páscoa, de tal modo que se ele diz ao homem moderno que o verdadeiro sentido da ressurreição não é um corpo material que sai de uma sepultura material, mas o amor espiritual que conquista a morte, fá-lo somente para tornar a ressurreição mais acessível ao descrente homem moderno.

Porém, Santo Padre, o corpo crucificado levantou-se ou não vivo da sepultura material? Se não, pare de acreditar que sim, pare até de aparentar que sim, e desista de ser Papa de católicos iludidos. Mas, se ele sim se levantou da tumba, então ISSO é o que deve Vossa Santidade dizer ao pobre homem moderno; e é a descrença deste que Vossa Santidade deve – perdoe-me a linguagem – lançar-lhe à cara. O homem moderno não precisa ouvir sobre amor, amor, amor. Ele já o ouve o dia inteiro! Ele precisa ouvir que Nosso Senhor, verdadeiramente ressuscitado, tanto deteve Seus implacáveis inimigos em seus planos, como transformou seus abatidos Apóstolos em conquistadores.

Santo Padre, é inútil tentar falar ao mundo com a sua própria linguagem corrompida. Conquiste-o com a linguagem de Nosso Senhor! E se Vossa Santidade se vir obrigado a dar-nos o exemplo do martírio, deverá crer que esse é o exemplo que muitos de nós precisaremos em um futuro não distante. Em seu favor humildemente rezamos.

Kyrie eleison.