Comentários Eleison 211 – O pensamento de Bento – IV

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O PENSAMENTO DE BENTO – IV

ELEISON COMMENTS CCXI (30 de julho de 2011)

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Na quarta e última parte desta visão geral do tratado de Dom Tissier, A Fé Posta em Perigo pela Razãoo bispo pronuncia um juízo sobre o sistema de reinterpretação da Fé Católica, idealizado pelo Papa Bento XVI para fazê-la mais acessível ao homem moderno. Os defensores do Papa poderiam acusar ao bispo de apresentar somente um lado do pensamento do Papa, porém esse lado existe e o bispo faz bem ao apresentá-lo abertamente e ao mostrar sua coerência como um sistema do erro, porque à medida que mais verdade se mistura com este, melhor disfarçado estará e maior o dano que pode fazer para a salvação das almas.

No Capítulo IX de seu tratado, Dom Tissier mostra como o Papa transforma aquilo em que os Católicos crêem e por quê o transforma. Os verdadeiros Católicos crêem nos Artigos de Fé como foram definidos pela Igreja e os aceitam devido à autoridade objetiva de Deus que os revelou. Mas para Bento esta parece uma religião demasiado abstrata, de definições frias. Assim é que em vez disso dirá, “A Fé é um encontro com Jesus, uma pessoa, a presença de Deus, a presença do amor.” Agora, a crença transformada desta maneira pode parecer mais acolhedora e pessoal, mas também se arrisca a ser o fruto vago da experiência pessoal, baseada em sentimentos subjetivos, pouco confiáveis. Mas quem em realidade quer uma ponte insegura até o Céu, unicamente porque se sente bem?

No Capítulo X Sua Eminência continua  demonstrando como todo o sistema de crenças desta transformação é inseguro, devido a que a receita de Bento para um Catolicismo sentimental é purificar os dogmas de seu passado sem importância e enriquecê-los com um entendimento obtido da maneira em que se pensa no presente. Agora bem, o principal formador da consciência atual é o filósofo Kant, seguido por Bento, que sustenta que a existência de Deus não pode ser provada, e sim unicamente postulada, ou fabricada segundo as necessidades subjetivas dos homens, que tomam o lugar das realidades objetivas. Porém, em um mundo como esse, quantas pessoas vão postular a existência de Deus? Não nos assombra que em 1996 o Cardeal Ratzinger vislumbrara um obscuro futuro para a Igreja.

Em seu Epílogo, Dom Tissier conclui que Bento pode ter uma necessidade pessoal imperativa de encontrar uma síntese entre a modernidade e o Catolicismo para reconciliar seu coração Católico e seu pensamento moderno, mas esta síntese é impossível. Por exemplo, o Papa quer acreditar que os Direitos Humanos, idolatrados em todas as democracias atuais, são unicamente a atualização do Cristianismo, mas em realidade são sua morte. Implicitamente, na lógica disto está uma declaração de independência de Deus, com um desafio de todos os limites postos pela natureza humana que vem de Deus. Estes Direitos são de fato uma bomba atômica na guerra do homem moderno contra Deus, uma pedra angular no edifício da Nova Ordem Mundial.

Assim é que o Papa, comenta Sua Eminência, não deve ter esperanças de poder manter ao mundo graças a essa “purificação e regeneração mútua” da religião e da razão, feita para seu “enriquecimento mútuo”. Quando se trata de religião, a razão secularizada tem pouco ou nada de valor para oferecer, e todas as tentativas dos teólogos Católicos de entender-se com ela desmoronarão como um castelo de cartas, junto com a Nova Ordem Mundial a quem esses teólogos esperam poder servir. O bispo deixa para São Paulo a última palavra – “Porque ninguém pode por outro fundamento, senão o que foi posto, isto é, Jesus Cristo” (I Cor. III, 11).

O tratado completo de Dom Tissier estava disponível em francês, mas já se esgotou. Traduções para o inglês e para o italiano estão disponíveis na Internet.

Kyrie eleison.

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