Comentários Eleison 207 – Não peças emprestado!

Página inicial > Dom Richard Williamson > Eleison Comments

NÃO PEÇAS EMPRESTADO!

ELEISON COMMENTS CCVII (02 de julho de 2011)

– Formato para impressão (em PDF).

O último resgate financeiro da Grécia, se realizar-se, vai colocar um prazo maior para o desastre da União Européia e talvez do sistema financeiro mundial, mas o dia unicamente se prorrogou, não se cancelou. O problema é sistemático. Se os políticos democratas querem ser reeleitos, devem pedir emprestado para pagar a assistência social gratuita à que eles mesmos acostumaram o povo a exigir, porém a loucura para indivíduos, famílias ou nações de sacar empréstimos sobre empréstimos não pode durar para sempre, e um dia ocorrerá uma freada brusca. Esses povos e políticos estiveram por muito tempo no caminho incorreto, pois a decisão de acumular os empréstimos é normalmente estúpida ou criminosa.

É estúpido se hão se esquecido a sabedoria básica destas três linhas de Shakespeare, que superam muitíssimos volumes escritos por “economistas” profissionais: — “Procura não dar nem pedir emprestado a ninguém / Porque quem empresta costuma perder o dinheiro e o amigo / E o que se acostuma a pedir emprestado falta o espírito de economia e boa ordem.” Em outras palavras o hábito de pedir emprestado nos acostuma a não utilizar racionalmente os recursos aos que temos acesso. Por exemplo, o dinheiro emprestado se obtém facilmente, pelo menos no começo, e assim diminui o sentido do valor do dinheiro e o sentido da realidade, por exemplo, a dificuldade que pode ser ganhar o dinheiro e eventualmente pagar a dívida. Enquanto emprestar, disse Polônio (Hamlet, I, 3), “não só amiúde não me pagarão o devido, senão que também se empresto a um amigo, que não possa pagar, talvez ele fique com demasiado medo ou vergonha para voltar a se aproximar de mim.”

Contudo, nem todos os que emprestam são estúpidos. Vários deles são criminosos, porque sabem que ao emprestar dinheiro à taxas de interesse usurárias podem submeter os indivíduos, as famílias e as nações à pobreza e à escravidão – “O que pega emprestado é servo” (escravo) “do que empresta” (Prov. XXII, 7). Alguns cartões de crédito hoje em dia cobram taxas entre 20 e 30% de juros, entretanto a Igreja Católica sempre condenou severamente a usura. Os usurários são criminosos que destroem a estrutura da sociedade, empobrecendo e escravizando aos homens ou nações inteiras.

Nos tempos modernos a usura toma diferentes formas, dizem os Papas, e esta é a razão pela qual o mundo inteiro deveria hoje em dia dar-se conta de que ele mesmo se deixou escravizar pelos astutos maestros do dinheiro, que orquestram sua riqueza para dominar os meios e os políticos em particular, assim comprando o controle da sociedade inteira que se entrega a Mamona. A pergunta então surge: como pode Deus permitir que se desse essa problemática e como é que pode agora propor-se permitir o sofrimento imenso que virá com o iminente colapso financeiro e/ou a Guerra Mundial, ambos maquinados por seus inimigos para obter, como esperam, todo o poder mundial?

A resposta é que Ele deu tanto poder a seus inimigos porque a crueldade e a desumanidade dos mesmos lhes servem como o açoite que cairá sobre as costas de um mundo que se apartou d’Ele e que preferiu fazer de Mamona seu mestre – “não podeis servir a Deus e a Mamona, diz Nosso Senhor (Mt VI, 24). E Deus permitirá muito mais sofrimento em um futuro imediato, porque “No sofrimento se aprende” (Esquilo), e de fato unicamente o sofrimento severo será suficiente hoje em dia para permitir que um número significativo de almas ao redor do mundo aprenda que seu materialismo e adoração a Mamona são inimigos traiçoeiros de seu único verdadeiro interesse: a salvação de suas almas eternas.

Mãe de Deus, obtenha misericórdia para nós, pobres pecadores!

Kyrie eleison.