Comentários Eleison 204 – Limites humanos

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LIMITES HUMANOS

ELEISON COMMENTS CCIV (11 de junho de 2011)

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A descoberta, no início de abril, depois de dois anos de buscas, dos destroços do Airbus da Air France que caiu no meio do Atlântico, no dia 1º de junho de 2009, e a posterior recuperação dos gravadores de vôo da aeronave, conhecidos como “caixas pretas”, jogou uma luz inquietante sobre o desastre, até agora inexplicável. Que drama! Parece que o Airbus 330-200 parou a uma altitude de 38 mil pés e, depois de três minutos e meio, precipitou até chocar-se com o oceano, fazendo com que todos a bordo, 228 almas, aparecessem instantaneamente diante do tribunal de Deus.

O problema inicial do vôo AF 447 pode ter sido o mau tempo noturno encontrado em altitude, sobre o oceano, a duas horas do Rio de Janeiro, no Brasil, a caminho de Paris. As conclusões que se depreendem das provas fornecidas pelas caixas pretas ainda não são definitivas, mas parece que um segundo problema pode ter sido provocado pelos indicadores da velocidade da aeronave que, com informações provenientes dos tubos de pitot (sensores de velocidade), teriam dado falsas indicações para os pilotos. Quando a aeronave começou a falhar, em vez de colocar o nariz para baixo para recuperar a velocidade necessária para o avião recomeçar a voar, parece que os pilotos aceleraram os motores, que é outra maneira de sair de uma situação dessas, mas colocaram o nariz da aeronave para cima. Mais alertas automáticos dispararam até que o avião finalmente parou, e uma vez que este começou a cair parece que os pilotos não puderam fazer nada para impedir o acidente.

Decidiram subir acima da tempestade, para não passar por ela? Teriam confiado demais em sua aparelhagem eletrônica, aparentemente cada vez mais dominante nas cabines de pilotagem? Teriam entrado em pânico? (Bem compreensível, se aconteceu!) Pode-se aguardar os resultados finais do inquérito da Air France para se entender a causa do acidente, mas algumas coisas em relação a isso são certas.

Qualquer um de nós pode morrer a qualquer momento, por uma série de causas. Será que naquele momento teremos tempo, graça e presença de espírito para fazer um ato de contrição suficiente para salvar nossas almas? O medo de morte iminente pode apagar tudo da mente, exceto o impulso instintivo para sobreviver. Agora, todo ano, milhões de passageiros internacionais são levados com segurança sobre os oceanos pelas nossas magníficas máquinas voadoras, mas elas são coisas frágeis diante das forças da natureza. “Pare!”, disse a tempestade, “vocês não são os mestres dos elementos como gostam de crer”. E os passageiros e tripulantes, chamados violentamente de volta à realidade, longe do conforto dos filmes de bordo e das refeições servidas nos assentos, foram tomados pelo pânico durante boa parte dos 210 segundos que precederam o seu mergulho para morte, uma vez que a lei da gravidade da natureza retomou o controle sobre a máquina, apesar de toda a engenhosidade que o homem desenvolveu para voar.

Mesmo depois de permanecerem 672 dias no fundo do oceano, as caixas-pretas funcionaram perfeitamente e agora estão revelando seus segredos sobre os últimos minutos do vôo AF 447. Que idéia brilhante! Que desenho engenhoso! Mas quantas almas a bordo dessa máquina maravilhosa estavam prontas para entrar na eternidade? E quantas outras estariam prontas se apenas os homens dedicassem à salvação de suas almas uma pequena parte da inteligência e do esforço que eles gastam para construir suas máquinas materiais? Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, para que nem distração nem pânico nos impeçam de por e manter em ordem as nossas almas, “agora e na hora de nossa morte.”

Kyrie eleison.