Comentários Eleison 187 – Um filme memorável

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UM FILME MEMORÁVEL

ELEISON COMMENTS CLXXXVII (12 de fevereiro de 2011)

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É fácil perceber como o filme francês há pouco lançado, “Dos Homens e Dos Deuses” (em tradução livre), ganhou o maior prêmio no prestigioso Festival de Cinema de Cannes, no último ano. Ele recria eventos reais de 1996, os últimos meses de vida de um monastério Cistercense na Argélia pós-colonial, onde os últimos oito monges foram finalmente pegos e mortos por assassinos desconhecidos. O filme é belamente dirigido, interpretado e fotografado. De interesse particular aos católicos familiarizados com a Tradição será a religião do filme e – de um ponto de vista religioso – a política.

Talvez o mais notável de tudo seja o verdadeiro sentido de religião do filme, dado que se representa a religião conciliar. Doutrinalmente, existem por exemplo momentos ecumênicos de excessivo respeito pelo Corão. Liturgicamente, as palavras e a música cantadas na simples, porém nobre, igreja do monastério, compostas pelo homem moderno, são subjetivas e sentimentais. Mas as cenas que continuamente mostram os monges em oração são tão genuinamente religiosas que verdadeiramente assombram em nossa era secularizada. Alguém poderia dizer [a si mesmo]: isso é um monastério de verdade!

O que se pode dizer? Sobre a direção e atuação do filme, da mesma forma que os bretões modernos podem representar mais convincentemente a era Vitoriana, pelo simples fato de que o Império Britânico está sufucientemente próximo em sua história para ainda correr em suas veias, assim os atores franceses deste filme devem representar maravilhosamente bem os monges, porque o monacato católico é uma parte extremamente importante de sua herança. Mas, acima de tudo, como Nosso Senhor diz (Mt.XV,18,19), é o que está no coração do homem que realmente importa. Muito melhor que tudo é o Tradicionalismo de coração, mas este filme está aí para lembrar a nós, Tradicionalistas, que o Conciliarismo de coração pode todavia agradar a Deus melhor que a Tradição sem coração.

A política retratada no filme nos é de particular interesse tendo em vista a atual revolta islâmica em vários países árabes. Os monges no filme, como sem sombra de dúvida ocorreu na vida real, foram pegos politicamente entre a cruz e a espada. Por um lado, suas vidas não-islâmicas estão obviamente ameaçadas pelos rebeldes islâmicos, que matam qualquer um que se ponha em seu caminho de conquista política da Argélia para o Islamismo. Por outro lado, o governo argelino pós-colonial suspeitava muito da ajuda dos monges e de sua cumplicidade para com os rebeldes ao auxiliar seus feridos com as obras de misericódia da Igreja, e convida os monges a deixar o país. Até hoje alguns pensam que os monges foram executados pelo governo argelino. Deus sabe.

O que se pode dizer? Certamente o Catolicismo de coração é muito superior ao Islamismo de coração, que é uma seita anti-cristã, simplista e brutal. Mas se o coração do Catolicismo se esgota, como aconteceu depois do Vaticano II, a tal ponto que na vida real, em qualquer lugar do mundo, os monges e sacerdotes católicos sejam culpáveis por dar auxílio não somente médico mas como também moral a revolucionários anti-católicos – de fato, como o Arcebispo Lefebvre costumava dizer, os sacerdotes modernistas se tornam os piores revolucionários! – poderia alguém ser surpreendido se qualquer um dos governos estabelecidos se opõe a sacerdotes conciliares que minam a lei e a ordem? O Islamismo só está se levantando porque a verdadeira Igreja Católica ainda está caindo.

Quanto depende daquelas poucas almas que ainda mantêm a Tradição Católica!

Kyrie eleison.