1 – Erros concernentes à noção da Tradição e da Verdade Católica

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1 – ERROS CONCERNENTES A NOÇÃO DA TRADIÇÃO E DA VERDADE CATÓLICA

1.0 Uma noção errônea da Santa Tradição como conjunto de ensinamentos graças ao qual a Igreja “no curso dos séculos tende sempre para a plenitude da verdade divina (ad plenitudinem divinae veritatis iugiter tendit), até que as palavras de Deus recebam nelas sua consumação” (Dei Verbum 8). Como se a Tradição que guarda o depósito da Fé desde o tempo da pregação dos Apóstolos não possuísse já a plenitude da verdade divina! Como se pudesse haver alguma coisa para aí acrescentar ou alguma coisa para modificar.

1.1. A incrível afirmação, contrária ao senso comum como a toda tradição, afirmação segundo a qual a Igreja deve ser submetida a uma “reforma permanente” (vocatur a Christo ad hanc perennem reformationem qua ipsa… perpetuo indiget), reforma que deve implicar também “na maneira de enunciar a doutrina, que é preciso distinguir com cuidado do depósito da fé (qui ab ipso deposito fidei sedulo distingui debet) (Unitatis Redintegratio 6; cf. igualmente Gaudium et Spes 62). Esse princípio já tinha sido proclamado nas versões em língua vulgar da Alocução inaugural de João XXIII de 11 de Outubro de 1962 e mais tarde retomada textualmente por este Papa. Mas isso já fora condenado por São Pio X (Pascendi, 1907 §11, c; Lamentabili, 1907, 63 e 64, DZ 2064-5 / 3464-5) e por Pio XII (Humani Generis 1950, AAS 1950 565-566).

1.2. A proposição: “a verdade só se impõe pela força da própria verdade (nisi vi ipsius veritatis) que penetra o espírito com tanta doçura quanto poder” (Dignitatis Humanae 1), professado pelo concílio para justificar a liberdade religiosa, é totalmente falsa no que concerne às verdades do Catolicismo, já que estas, enquanto verdades divinitus reveladas, ultrapassam a medida de nossa inteligência, não podem ser cridas sem a ajuda da Graça (e é por isso que sempre se ensinou que a fé é um dom de Deus). Além disso, essa afirmação nega de fato as conseqüências do pecado original sobre a inteligência e a vontade, feridas e enfraquecidas por ele e por isso inclinados ao erro.

 

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