Comentários Eleison 180 – “Admirável, Conselheiro”

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“ADMIRÁVEL CONSELHEIRO”

ELEISON COMMENTS CLXXX (25 de dezembro de 2010)

O dia de Natal é um momento apropriado para relembrar porque nós podemos e devemos nos alegrar com a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo. Ele e só Ele pode resolver todos os problemas reais dos homens, que remontam aos primórdios da humanidade, e que hoje são mais graves do que nunca.

A causa disso é que todos os problemas reais dos homens envolvem o pecado. Qualquer desordem puramente material só se torna grave se, de alguma forma, for espiritual, por exemplo, se uma doença física faz com que um homem rogue pragas ou bençãos. E qualquer coisa espiritual que ocorra dentro de mim só será um transtorno, se, de alguma forma, for um pecado. Por exemplo, Jó lamentou amargamente suas aflições físicas, mas sua lamentação não era pecado. Quanto ao pecado, ele é um distúrbio ou ofensa principalmente contra Deus, em segundo lugar contra si e só em terceiro lugar contra o próximo.

Portanto, todos os problemas reais dos homens que não são meramente problemas materiais, são problemas que decorrem de os homens terem ofendido a Deus. Um exemplo terrível é o de uma mulher que cometeu aborto. Superficialmente, seu problema está resolvido. O bebê está fora do caminho, e sua vida “voltou ao normal”. Mas, no fundo, ou ela endurece seu coração (e junta-se a um mundo que tende a odiar e suprimir o Natal), ou reconhece e admite que fez algo terrivelmente errado. De qualquer maneira algo nela estará deslocado e contorcido pelo resto de sua vida, e muitas dessas mulheres, até mesmo as católicas que saibam pela fé que Deus as perdoou pela absolvição sacramental, poderão ainda ser atormentadas, tal é a ferida que o pecado causou em suas almas. Mas o aborto não é o pior dos pecados. Pecar contra Deus é diretamente mais grave.

Serão pensamentos muito sombrios para o dia de Natal? Sim e não. O problema do pecado é sombrio, mas a alegria de saber que ele tem uma solução real é igualmente fabuloso. Se a pobre moça vai à confissão, quase todos os sacerdotes católicos irão fazer todo o possível para convencê-la de que, se ela está realmente arrependida de seu pecado (com uma tristeza de Pedro e não de Judas Iscariotes), logo, através da absolvição, ela não deverá duvidar que Deus a perdoou. Quantas penitentes, em seguida, saem do confessionário com um sentido de alívio e alegria que nada mais lhes poderia dar, porque terem ofendido a Deus estava no centro de seus tormentos, e elas sabem que Deus as perdoou.

E de onde vem essa alegria? Da certeza de que Deus assumiu uma natureza humana a partir de uma donzela judia, viveu na terra e nos deu, entre outros sacramentos, o da Penitência, que tira sua força dos méritos de sua Paixão e Morte, que ele suportou apenas com a ajuda da mesma donzela, sua mãe. Mas como ele poderia ter morrido se não tivesse nascido? Tudo começou com seu nascimento humano do ventre da Bem-Aventurada Virgem Maria – o Natal.

Então, a solução de todos os problemas mais terríveis do mundo, tanto os de meus próximos quanto os meus está à disposição. Não admira que os católicos estejam alegres. Não admira que haja uma alegria especial até mesmo nos descrentes na época do Natal – enquanto eles ainda não tenham endurecido seus corações.

Kyrie eleison.