AS CAUSAS DO MODERNISMO

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A PASCENDI EXPLICADA: LUZES PARA OS CATÓLICOS DE HOJE

2) AS CAUSAS DO MODERNISMO

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2) AS CAUSAS DO MODERNISMO

2.1) Causas morais: Curiosidade e orgulho

 A perversão do espírito é evidentemente a mais grave. Tal perversão tem duas causas principais, a curiosidade sem regras – ou o amor das novidades – e o orgulho.

O amor de novidades basta por si só para explicar toda a sorte de erros.” Pascendi

Quanto ao orgulho, este se manifesta já na própria raiz do modernismo, quando pretende elevar-se para dominar o real e não estar mais submisso a ele. É certamente poderosa a razão humana, mas foi feita para ser submissa ao real. Quanto mais a inteligência conhece o real, mais se abre e se desabrocha.

O homem não deve dizer “penso, então o real é assim”, mas, “penso que o real é assim”.

Por orgulho, esquecidos de si mesmos, pensam unicamente em reformar os outros, sem respeitarem nisto qualquer posição, nem mesmo a suprema autoridade. Para se chegar ao modernismo não há, com efeito, caminho mais direto do que o orgulho. Se algum leigo ou também algum sacerdote católico esquecer o preceito da vida cristã, que nos manda negarmos a nós mesmos para podermos seguir a Cristo, e se não afastar de seu coração o orgulho, ninguém mais do que ele se acha naturalmente disposto a abraçar o modernismo!” Pascendi

Uma conseqüência concreta desta disposição errada e perversa é a recusa da autoridade que representa o real, o que é. Daí surge inevitavelmente o velho conflito entre liberdade e autoridade. E daí também as fortes recomendações e ordens do Papa São Pio X:

Seja portanto, Veneráveis Irmãos, o vosso primeiro dever resistir a esses homens soberbos, ocupá-los nos misteres mais humildes e obscuros, a fim de serem tanto mais deprimidos quanto mais se enaltecem, e, postos na ínfima plana, tenham menor campo a prejudicar. Além disto, por vós mesmos ou pelos reitores dos seminários, procurai com cuidado conhecer os jovens que se apresentam candidatos às fileiras do clero; e se algum deles for de natural orgulhoso, riscai-o resolutamente do número dos ordinandos. Neste ponto, quisera Deus que se tivesse sempre agido com a vigilância e fortaleza que era mister!” Pascendi.

 

O orgulho de um modernista – Um exemplo histórico

“Teólogo” do Concílio Vaticano II, o padre Yves Congar reconhece que a liberdade religiosa não existe mas prefere inventá-la falsamente!

“Eu contribuí aos últimos parágrafos da declaração Dignitatis Humanae (Vaticano II – Declaração sobre a liberdade religiosa) – os quais menos me satisfazem. Tratava-se de mostrar que o tema da liberdade religiosa já aparecia nas Escritura. Ora, não aparece aí. Então, eu trabalhei com dois biblistas, um jesuíta, o Padre Lyonnet, e um dominicano, o Padre Bento, da Escola Bíblica de Jerusalém. Nós nos esforçamos em mostrar como Jesus mesmo não tinha sido violento” (Padre Yves Congar, OP, co-fundador em 1965 da revista modernista Concilium, apud “À direita do Pai”, 1994)

 

Pela curiosidade e o orgulho a inteligência está descontrolada e quer saber tudo por si mesma. Há, então, no fundamento do modernismo, uma verdadeira disposição habitual de má vontade, mais ou menos consciente ou voluntária, muito difícil de corrigir.

 

2.2) Causa intelectual: a ignorância

A aliança de uma falsa filosofia com a fé produz todo um sistema falso. Esse sistema encontra três grandes obstáculos que os modernistas intentam desprezar, silenciar ou corromper.

Três obstáculos incomodam sobremaneira os modernistas:

– A filosofia escolástica e o “método escolástico de raciocinar

– A autoridade dos Padres com a Tradição

– O magistério eclesiástico

 

 Saibamos observar como os modernistas usando os Padres da Igreja têm habitualmente o objetivo de opô-los explicitamente ou implicitamente aos santos teólogos escolásticos (cujo mestre e doutor comum é santo Tomás de Aquino). Costumam citar os primeiros para fazer pensar que os outros são secos e frios, sem contato direto com o “vivido”. Explicaremos esta impressão quando falarmos dos remédios para modernismo.

Também usarão os escritos dos Santos Padres, sem a luz da Igreja para compreendê-los corretamente. Porém, são precisamente os esclarecimentos dos escolásticos, dos tomistas, que permitem saborear com prudência e com bons frutos esses escritos influenciados pela filosofia outrora dominante, o platonismo.

E não esqueçamos que os modernistas têm uma visão extremamente falsa da Tradição, reduzida a uma comunicação da experiência religiosa.

São também muito astuciosos em desvirtuar a natureza e a eficácia da Tradição, a fim de privá-la de todo o peso e autoridade. Porém, nós, os católicos, teremos sempre do nosso lado a autoridade do segundo Concílio de Nicéia, que condenou «aqueles que ousam…, à maneira de perversos hereges, desprezar as tradições eclesiásticas e imaginar qualquer novidade… ou pensar maliciosa e astutamente em destruir o que quer que seja das legítimas tradições da Igreja católica».” Pascendi.

Vemos assim que o magistério tradicional incomoda e bloqueia as afirmações e conclusões dos modernistas. “Põem, finalmente, todo o empenho em diminuir e enfraquecer o magistério eclesiástico, ora deturpando-lhe sacrilegamente a origem, a natureza, os direitos, ora repetindo livremente contra ele as calúnias dos inimigos.” Pascendi.

E, apesar da noção distorcida que têm do magistério, quando séculos de ensino e escritos da hierarquia eclesiástica condenam e contradizem o que pensam, escrevem e pregam, não encontram outro remédio senão recorrer a “lei do silêncio”.

Em vista disto, Veneráveis Irmãos, não é para admirar que os católicos, denodados defensores da Igreja, sejam alvo do ódio mais desapoderado dos modernistas. Não há injúria que lhes não atirem em rosto; mas de preferência os chamam ignorantes e obstinados. Se a erudição e o acerto de quem os refuta os atemoriza, procuram descartá-lo, recorrendo ao silêncio.” Pascendi.

 

2.3) Mais duas notas e causas do modernismo!

– Os que têm costume de escrever com demais liberdade ou precipitação. Tal costume resulta de uma falta de rigor e de trabalho. O leigo ou o clero que atua assim vai deixando mais facilmente de lado os princípios e procura naturalmente fazer “algo novo”, diferente, para ser lido.

Lamentamos esses muitos que, embora não se tenham adiantado tanto, tendo contudo respirado esse ar infeccionado, já pensam, falam e escrevem com tal liberdade, que em católicos não assenta bem. Vemo-los entre os leigos; vemo-los entre os sacerdotes; e, quem o diria? Vemo-los até no seio das famílias religiosas.” Pascendi.

O mau espírito que anima os modernistas

Não é o aspecto mais visível, mas é gravíssimo.

Podem estar eles na persuasão de fazerem coisa agradável a Deus e à Igreja; na realidade, porém, ofendem gravemente a Deus e à Igreja, se não com suas obras, de certo com o espírito que os anima e com o auxílio que prestam ao atrevimento dos modernistas.” Pascendi.

Vemos neste caso que é a prática que vai revelar claramente ou desmascarar os modernistas. Os católicos devem preservar-se e proteger-se deste mau espírito. Devem conhecer e aprender a reconhecer os bons livros, lê-los e voltar também a lê-los de vez em quando para lembrar os grandes princípios e esclarecer as idéias pervertidas pelas máximas do mundo.

 

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Este trabalho foi extraído do site da FSSPX – Priorado Padre Anchieta * .