Comentários Eleson 169 – Doutrina – indispensável

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DOUTRINA – INDISPENSÁVEL

ELEISON COMMENTS CLXIX (09 de outubro de 2010)

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Eu ainda consigo me lembrar de Dom Lefebvre, em 1986, sendo surpreendido por ver que tão poucos seguidores da Tradição Católica compreendiam a depravação da “amorosa festa de todas as religiões” em Assis, mas tal é a corrupção de nossos tempos: as idéias e a verdade não têm importância, porque “Tudo o que você precisa é amor”. Na verdade, todos nós precisamos, absolutamente, tanto da doutrina quanto do amor.

A doutrina não é apenas fórmulas de palavras. Aqueles de nós que têm o dom inestimável da fé sabem que após nossa curta vida neste mundo teremos uma eternidade de inimaginável felicidade ou horror na próxima vida, e sabemos que esse é o destino de todos os homens, quer acreditem nisso ou não, sendo o Limbo para os inocentes não batizados a única exceção. É então evidente que, a não ser que Deus seja cruel – vão desejo de uma pobre alma que procura justificar a sua revolta contra Ele! – Ele está oferecendo a todas as almas, o tempo todo, a luz e a força de que elas precisam para ganhar o céu e evitar o inferno, se assim o desejarem. Mas quando uma alma não tem a Fé, que formas essa luz e essa força podem tomar?

Deixemos dois não-católicos indicarem a resposta. O Dr. Samuel Johnson, gigante do senso comum inglês do século 18, disse: “Aquele que odeia Londres odeia a vida”. Em outras palavras, por trás do tumulto da vida diária em todos os seus detalhes cotidianos, um homem está forjando dia a dia uma atitude geral para a vida. E o Conde Leon Tolstoi, em seu romance épico Guerra e Paz, tem um personagem que diz: “Aquele que ama a vida, ama a Deus”. Em outras palavras, a atitude geral de um homem para com a vida é na verdade uma atitude para com Deus. É claro que muitas almas modernas vão negar veementemente que sua atitude perante a vida possa ter alguma coisa a ver com um Deus “inexistente”, mas Deus está sustentando na existência tanto ele quanto todos os objetos do cotidiano em torno dele, e Ele está dando a ele, a todo momento, o livre-arbítrio para amá-lo ou odiá-lo, mesmo dentro e por trás desses objetos. Assim, os comunistas deveriam ser ateus, mas Lenin disse uma vez: “Deus é meu inimigo pessoal”. Comunistas, como tal, odeiam a vida e odeiam a Deus.

Então, qual é a atitude certa para com a vida e para com Deus? O Primeiro Mandamento estabelece: amá-Lo com todo coração, mente e alma. Mas como posso amar alguém sem primeiro ter algum conhecimento sobre essa pessoa? A atitude correta quanto à vida e a Deus pressupõe, pelo menos, alguma fé ou confiança na bondade da vida e/ou de Deus. Assim, no Evangelho, quando almas iletradas vêm a Nosso Senhor para pedir um milagre, muitas vezes ele testa a “fé” delas, ou as elogia e as recompensa, quando concede o milagre. Que fé? A fé n’Ele. Mas quem é Ele?

Isso é para as almas letradas exprimirem, pela doutrina. Essa doutrina de Deus pode ser polida ao longo dos séculos, mas não pode ser mudada, do mesmo modo que Deus não pode ser mudado. É a correção constante de nossa atitude perante a vida e Deus que indica o quanto queremos ser incrivelmente felizes e e não infelizes por toda a eternidade. A doutrina católica é verdade. Deus é a Verdade. A verdade é indispensável.

Kyrie eleison.