Falsas curas e falsos milagres

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FALSAS CURAS E FALSOS MILAGRES

Folhetos Católicos, n° 08. Ver nota aqui.

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   1 – Não negamos a possibilidade de autênticos milagres, que Deus pode sempre operar, quando Lhe aprouver, por razões superiores, como, por ex., provar a divindade de Jesus Cristo e autenticidade de sua missão divina. Afirmamos, isto sim, que Ele não os opera através das seitas heréticas ou das superstições, e mesmo do falso carismatismo, atualmente em voga. Se o fizesse, estaria aprovando e incentivando a desorientação dos fiéis e a perdição das almas. São, pois, falsos esses propalados milagres.

   Distinguimos, então, três casos desses falsos milagres e falsas curas transformados em verdadeiro Comércio de Bênçãos, como é praticado nas seitas carismáticas!  –  Esses casos podem ser:

   A) Efeito de sugestões: As possíveis e ligeiras sensações de alívio ou melhora que algum enfermo pode sentir por ocasião de uma bênção, por exemplo, são freqüentemente o efeito de sugestões em pacientes superemotivos que ansiosamente suspiram pela cura ou alívio de seus males.

   – Ademais, tais pessoas, por serem em geral muito impressionáveis, costumam aumentar muito seus incômodos, bastando, pois, uma certa dose de emotiva confiança em uma oração ou bênção, para já sentirem algum alívio, ou até sentirem-se curadas. A volta dos incômodos depois de algum tempo, é prova certa de que não são verdadeiras curas.

   – Como prova, presenciamos nos hospitais vários casos de enfermos com doenças incuráveis que os “milagreiros” das seitas ditas carismáticas deram por curados e que morreram mais rapidamente porque, crendo-se  curadossuspenderam a assistência médica e a medicação.

   – Note-se que, quando uma bênção é dada por quem tem autoridade para dá-la em nome de Deus, como os que foram constituídos por Cristo, os Sacerdotes da Nova Lei do Evangelho (Apoc. 1,6; Jo. 15,16;  20,23) – autoridade que os “pastores” das seitas e curandeiros do espiritismo não têm – sempre comunica ao enfermo alguma graça divina que traz alívio e conforto, dando-lhe fortaleza espiritual para suportar com paciência a enfermidade, se aprouver a Deus não lhe dar verdadeira cura.

   – Sobretudo recebem graças especiais pela recepção do Sacramento da Unção dos enfermos (Extrema-Unção), conforme estas palavras da Bíblia: “Está alguém enfermo entre vós? Chame os Presbíteros da Igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com o óleo em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor lhe dará o alívio; e se cometeu pecados, ser-lhe-ão perdoados.”  (Tiago 5,14-15)  Mas, cuidado com os charlatões! Os falsos “milagreiros” estão macaqueando também esse Santo Sacramento da Igreja.

   Note-se que os “Presbíteros” do texto bíblico acima citado correspondem aos Sacerdotes do Novo Testamento. (Cf. “Folhetos Católicos”,  nº 14)

   B) Artifícios do Demônio:  Há também essa possibilidade. De fato, a Bíblia ensina que o “pai da mentira”, o Demônio, sabe transformar-se em “anjo de luz” (2 Cor.  11,14-15), e simular “prodígios”  para enganar os desprevenidos. São, no entanto, “sinais e prodígios mentirosos.” (2 Tes. 2,9-10) Exemplo disso temos também na Bíblia no Livro do Êxodo.

   – A Bíblia narra, de fato, nesse Livro, que dois magos egípcios, macaqueando um verdadeiro milagre que Deus tinha feito através de Moisés e Arão – os quais tinham transformado seus cajados em serpentes diante do Faraó – fizeram o mesmo com suas bengalas, através de suas encantações diabólicas, para impedi-lo (o Faraó) de deixar sair os hebreus do Egito. Prova de que o falso milagre dos magos era um artifício do Demônio é que as serpentes do verdadeiro milagre devoraram as do falso. (Êx. 4,2-5; 7, 8-12).

   – Também Jesus nos advertiu que falsos cristos e falsos profetas iriam fazer “sinais” e “prodígios”, que enganariam, se possível fosse, até os eleitos. (Mc. 13,22; Mt. 24,24) E acrescentou: “muitos se apresentarão em meu nome” e “enganarão a muitos.”(Mt. 24,11)

   – É certo que o Demônio não pode operar um verdadeiro milagre, porque não pode mudar a natureza das coisas. Só o Autor da natureza, Deus o pode, por Si ou por seus credenciados. O que o Demônio pode fazer é jogar com as aparências das coisas e fazer composições arbitrárias e passageiras para macaquear a Deus e enganar os homens.

   C) Artifícios dos homens: São autênticos truques ou fraudes. Os curandeiros espíritas eram bem hábeis nessa matéria. O documentado livro do Pe. Herédia, “Fraudes Espíritas e Fenômenos Metempsíquicos”, prova-o bem.

   – Mas, há também muitos exemplos dessas fraudes entre os “milagreiros” das seitas. De fato, não é raro que “sócios” da rede de igrejas carismáticas simulem doenças e possessões diabólicas  para se dizerem curados ou libertados.

   2 – Há vários casos em que algum malandro foi utilizado para esse tipo de espetáculo. Assim, na reportagem da TV Globo de uma concentração da Igreja Universal no Maracanã, uma repórter entrevistou uma senhora que afirmou ter recebido oferta em dinheiro, de pessoas da seita, para subir ao palanque e fingir estar possuída do Diabo e depois dizer-se libertada pelo Pastor Edir Macedo. Assim se explicam os depoimentos de curas divulgados pelas Redes de TV e Rádios da sua milionária seita.

   3 – E as farsas continuam: Assim é que os tais “evangélicos” se fazem de exorcistas, e num clima de superemotividade, de gritos de “aleluia”, e de “sai diabo”, põem-se a expulsar supostos “demônios”, de doentes muitas vezes neuróticos, e coisas do gênero. Mas, em São Paulo, como os jornais divulgaram, os tais “evangélicos” encontraram um “demônio” bem teimoso que os fez perder a paciência, pois, para expulsá-lo bateram tanto no pobre homem, que tiraram-lhe a vida.

   – Outras vezes pretendem imitar o carisma das línguas que foi dado aos Apóstolos no dia de Pentecostes. (Atos 2,41; 1 Cor. 14,27-28 – Ver “Folhetos Católicos”, nº 13). Só que são verdadeiros “blablablás” sem qualquer sentido, o que, blasfemando, atribuem ao Espírito Santo.

   4 – Outros carismas, porém, que Cristo concedeu aos seus Apóstolos para os tempos difíceis dos começos da sua Igreja, como o de pisar ou manusear serpentes, e de beber coisas mortíferas sem sofrer danos (Mc. 16,17-18; Atos 28,3-5), não ousam esses “carismáticos” imitar.

   5 – É claro que em todos esses casos eles sempre apelam para Jesus Cristo, a quem atribuem os seus falsos milagres. “Cristo te salvou”, “te libertou do diabo”, etc., exclamam os traficantes de ritos vazios que chamam bênçãos, enquanto outros gritam: “quanto mais…, mais…”, em verdadeiro estilo comercial. Tudo o contrário do que se lê nos Salmos 49,7-15; 50,17-21, onde Deus afirma que não pede tanto as nossas coisas, mas antes os louvores de nosso coração contrito.

   6 – É que os novos “curandeiros de Bíblia na mão” inventaram o “slogan”: “quanto mais se dá, mais se recebe”, com o qual atribuem a Deus (que blasfêmia!) o espírito de comércio de sua seita, transformada em grande Empresa Comercial com sua poderosa rede de TVs e Rádios.

   7 – Ilustra bem essas e outras da seita milionária do Edir, a grave denúncia de um seu ex-pastor, Mário Justino, em livro recente intitulado: “Sexo, dinheiro e drogas se confundem no mesmo púlpito, com orações e salmos de Davi”. (Ver essa e muitas outras em: “Nos bastidores do Reino” – publicado por “Geração Editorial” – S. Paulo – SP)

   – Abram os olhos, pois, os ingênuos, e os ávidos de coisas com mera aparência de maravilhoso. Deus não anda a fazer milagres a toda hora, nem sem graves razões.

Verdadeiros milagres

   Depois do que acima ficou dito sobre os falsos milagres, é o caso de se falar sobre os verdadeiros milagres. A Santa Igreja, porém, é bem prudente em reconhecê-los. Só os reconhece após rigoroso exame, para evitar o milagreirismo. Aqui, por falta de espaço, só o exemplo dos que têm acontecido no Santuário de Nossa Senhora de Lurdes. Todo enfermo que ali entra é submetido a rigoroso exame por uma equipe de médicos de diversos credos e sem credos. Depois de todas as orações, bênçãos e uso das águas, faz-se novo e rigoroso exame. Somente as curas instantâneas e de doenças orgânicas é que a equipe médica declara que o caso não tem explicação diante da ciência. Durante toda a história de Lurdes, 2.000 (dois mil) casos foram declarados tais. E desses a Igreja só reconheceu oficialmente 65 (sessenta e cinco).