Comentários Eleson 162 – Discussões contornadas?

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DISCUSSÕES CONTORNADAS?

ELEISON COMMENTS CLXII (21 de agosto de 2010)

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Enquanto as discussões Roma–FSSPX, segundo ambos os lados, estão se aproximando de um obstáculo doutrinal insuperável, relatos da França e da Alemanha junto a um rumor vindo de Roma sugerem um grande perigo para os católicos. Esse perigo seria um acordo político que simplesmente ignoraria o impedimento doutrinal. A política ameaça contornar o problema doutrinal.

Sobre a França e a Alemanha, foi-me dito há algumas semanas que uma grande parte dos Católicos que assistem missa nas igrejas da FSSPX espera seriamente algum acordo proveniente das discussões. Se – eu repito, se – for verdade, isso é realmente muito sério. Esses Católicos podem até ganhar nota máxima por desejarem não estar separados do que parece ser Roma, mas ficam com nota baixa por não compreenderem que enquanto as discussões permanecerem estritamente doutrinais, não haverá nenhuma maneira de o ensinamento neo-modernista do Vaticano II ser reconciliado com a doutrina Católica da verdadeira Igreja. Esses Católicos podem até venerar e amar quem eles imaginam ter sido Dom Lefebvre, mas ainda não compreenderam o significado de sua luta. Eles devem despertar caso não queiram cair, mais cedo ou mais tarde, nas mãos dos Romanos neo-modernistas.

Antepor um acordo à doutrina significa colocar a política antes da religião, a unidade antes da verdade, o homem antes de Deus. Colocar Deus antes do homem significa colocar a verdade antes da unidade, a religião antes da política e a doutrina em posição mais importante do que qualquer acordo não-doutrinal. Só sonhadores poderiam pensar que as discussões Roma-FSSPX não chegariam a uma barreira intransponível. Só políticos podem desejar qualquer acordo não doutrinal.

Infelizmente, ao que tudo indica Bento XVI acredita sinceramente na Nova Igreja do Vaticano II, que pretende unir em seu seio absolutamente todos os homens, independente de acreditarem ou não na verdadeira doutrina da Fé. Portanto, ele sinceramente deseja incorporar a FSSPX a essa Nova Igreja – e certamente ele já não tem mais muito tempo de vida! Portanto, a imobilidade das discussões doutrinais não o preocupa muito. Ele deve estar se esforçando para conseguir um acordo político com a FSSPX, para reuni-la logo ao resto da Nova Igreja. Disso se pode concluir que ele não exigirá demais da FSSPX, caso contrário ela recusaria esse acordo, mas também não exigirá muito pouco, porque então seria o restante da Nova Igreja que se levantaria em protesto.

E o rumor de Roma é justamente que ele estaria pensando num “Motu Proprio” que definitivamente admitiria a FSSPX “de volta à Igreja”, e, além disso, não requereria nenhuma aceitação explícita do Vaticano II ou da Missa Nova, mas somente, por exemplo, a aceitação do “Catecismo da Igreja Católica” de 1992, de João Paulo II, que é um catecismo substancialmente modernista, porém de uma maneira mais branda. Assim, não pareceria aos fiéis da FSSPX que ela estaria aceitando o Concílio ou a Missa Nova, contudo ela estaria lentamente começando a aceitar a substância do neo-modernismo.

Desta maneira, todos os caçadores da unidade estariam contentes.  Só não estariam contentes aqueles que crèem na doutrina Católica.

PERIGO!

Kyrie eleison.

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