Comentários Eleison 146 – Irmãs prontas para o combate.


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IRMÃS PRONTAS PARA O COMBATE


ELEISON COMMENTS CXLVI (1.º de maio de 2010)

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Duas irmãs professoras da mesma escola de moças escreveram-me recentemente, uma amedrontada, a outra esperançosa. Não há dúvida de que a Irmã Amedrontada está também esperançosa, e de que a Irmã Esperançosa não deixa de ter temores, porque os católicos devem fechar seus olhos para não se assustarem com a sutil apostasia que sorrateiramente se aproxima de todos nós, enquanto que perdem inevitavelmente a fé se a esperança que a acompanha também se perde.

Irmã Amedrontada escreve: “o poder do mundo sobre nossas meninas é forte”. Fora de sua terra natal por três anos, quando voltou descobriu que “a mudança de mentalidade de nossas meninas é notável. Nós lutamos para manter os princípios e a moralidade”. Observe, essa escola é cercada e mantida por pais católicos ligados à Tradição, o valor de sua matrícula eleva-se constantemente e vários pais fazem grandes sacrifícios para assegurar que suas filhas sejam educadas lá. Eis que mesmo assim há uma irmã contando-nos, sob um ponto de vista interno, a respeito de um problema de “mentalidade” que cresce.

Isso é porque toda a nossa sociedade ocidental está abandonando Deus, e porque o homem, como Aristóteles disse, é um animal social, não só individual ou familiar. Portanto, um rapaz ou uma moça pode ter bons pais, uma boa família e mesmo uma boa escola, contudo, se a sociedade fora de casa e da escola não compartilha os valores católicos incutidos por aqueles, esses rapazes e moças irão, especialmente na adolescência, sentir o impulso anti-católico, e sofrerão forte pressão para “seguirem a corrente”. Hoje a pressão é severa, a ponto de atemorizar a boa irmã, porque hoje todo o verdadeiro educador se sente como alguém que, na praia, tenta impedir o avanço da maré. Mas, ao menos, a irmã tem seus olhos abertos e não engana a si mesma, que somente a educação das meninas resolveria todos os seus problemas, como os pais são tentados a pensar.

Entretanto, sem dúvida ela compartilha também do relativo otimismo da Irmã Esperançosa, que me escreve que, quando as meninas encenam na escola uma peça de teatro, as pessoas do mundo “ficam impressionadas como aquelas meninas conseguem decorar linhas e linhas de texto e como o resto das alunas na platéia está ouvindo e assistindo ao ato, e não brincando com seus telefones celulares”. Ela continua, dizendo que “quando se escutam comentários como esse, percebe-se que, de alguma forma, realmente logramos sucesso, o que provoca muita gratidão”.

Em resumo, como disse Santa Joana D´arc, pertence a nós batalhar e a Deus dar a vitória. A Providência dá-nos certa mão de cartas de que nem sempre gostamos, mas cabe a nós jogá-las da melhor forma que pudermos. Lembro-me também da resposta pouco medrosa de Evelyn Waugh a uma mulher que reclamou de ser ele tão desagradável, apesar de ser católico. “Minha senhora”, respondeu, “você não tem idéia o quanto mais desagradável eu seria se não fosse católico. Sem o auxílio do sobrenatural, eu não seria nem mesmo um ser humano”.

Kyrie eleison.

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