Comentário Eleison 145 – Estrutura moral


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ESTRUTURA MORAL


ELEISON COMMENTS CXLV (24 de abril de 2010)

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Por sua abrangente brevidade e pela promulgação divina, os dez Mandamentos de Deus (Deut. V, 6-21) são a insigne apresentação da lei natural conhecida por todo homem por meio de sua consciência natural, e por ele negada ou desafiada sob seu próprio risco. Os Comentários Eleison da semana passada afirmaram que essa lei facilita o diagnóstico dos males da arte moderna. De fato, ela diagnostica inúmeros problemas modernos, mas observemos nesta semana a estrutura dos dez Mandamentos, como analisada por Santo Tomás de Aquino na sua Summa Theologiae 1a 2ae, 100, art. 6 and 7.

Lei é a ordenação de uma comunidade pelo seu líder. A lei natural é a ordenação divina da comunidade dos homens em relação a Deus, e Dele mesmo para com os homens. Deus é o centro e o propósito principal dessa comunidade, por isso a primeira “tábua da Lei” dispõe aos homens os deveres para com Deus (1º Mandamento, proibição da idolatria; 2º Mandamento, proibição da blasfêmia; 3º Mandamento, santificação do Sabá), enquanto que a segunda tábua (do 4º ao 10º mandamentos) detalha os deveres dos homens para com os próximos.

Os primeiros três Mandamentos representam os deveres de lealdade, respeito e serviço, respectivamente. Para um soldado num exército, diz Santo Tomás, a deslealdade ao seu general, ou a traição, é pior do que o desrespeito, o qual é pior do que a falha em seu serviço. Logo, o homem deve, ante Deus, primeiro, não ter outros deuses (1º Mandamento); segundo, de forma alguma insultá-Lo ou ao Seu nome (2º Mandamento); e terceiro, prestar-Lhe o serviço que Ele exige (3º Mandamento).

Para os deveres do homem em relação ao próximo (do 4º ao 10º Mandamento), de primeira importância são suas relações com o pai e a mãe, que lhe deram a vida. Logo, a segunda tábua da Lei é encabeçada pelo dever de honrar aos pais (4º Mandamento). Tão básica é essa honra a toda a sociedade que, sem ela, esta despedaça-se, como vemos hoje acontecer ao nosso redor com a “Civilização Ocidental” (que seria melhor chamada de “Desintegração Ocidental”).

Os seis Mandamentos restantes são em seguida analisados por Santo Tomás em ordem de decrescente importância. O dano ao próximo pela ação (5º ao 7º Mandamento) é pior do que apenas por palavras (8º Mandamento), que é pior do que apenas pelo pensamento (9º ao 10º Mandamento). Considerando o dano pela ação, o ato contra seu próximo (5º Mandamento, não matar) é mais grave do que contra sua família (6º Mandamento, proibição do adultério), que por sua vez é mais grave do que o dano contra sua propriedade (7º Mandamento, não roubar). As ações danosas por palavras (8º Mandamento, não mentir) são piores do que o dano apenas por pensamento, onde novamente a inveja do casamento ou da família (9º Mandamento, proibição da concupiscência da carne) é mais grave do que a inveja de sua propriedade (10º Mandamento, proibição da concupiscência dos olhos).

Entretanto, a quebra de todos os dez Mandamentos envolve orgulho – que os gregos antigos chamavam de “hubris” – pelo qual eu me ergo contra a ordem de Deus, contra Deus. Para os gregos, hubris era a chave para a queda do homem. Para nós, atualmente, um orgulho universal é a chave para os problemas estarrecedores do mundo moderno, insolúveis sem Deus, o que significa, desde a Encarnação, sem Nosso Senhor Jesus Cristo. Sacratíssimo Coração de Jesus, salvai-nos!

Kyrie eleison.

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