Comentário Eleison 144 – Arte Moderna I


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ARTE MODERNA I


ELEISON COMMENTS CXLIV (17 de Abril de 2010)

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Por que a arte moderna é tão feia? É inevitável que tenha de ser tão feia? São os artistas modernos incapazes de fazer algo de belo para variar? E por que, quando o conseguem, fazem-no como arte de segunda ou terceira classe, sentimental ou de algum modo não autêntico? Essas perguntas recorrentes são levantadas por um pintor como Van Gogh, analisado na semana passada, que fez o seu próprio caminho pela arte moderna. As questões são simples de responder se Deus e a alma humana são realidades. Não têm respostas razoáveis se o Deus espiritual e a alma espiritual são ficções de homens que querem enganar-se.

Se Deus é o invisível, mas real “Pai todo-poderoso, Criador de todas as coisas visíveis e invisíveis”, então Ele criou a alma humana invisível, muito intimamente unida na concepção a um corpo visível para constituir todo o ser humano que já existiu ou existirá. Seu propósito em criar criaturas com uma razão espiritual e, portanto, com livre arbítrio, é a Sua própria extrínseca (não intrínseca) glória, que aumenta com cada ser humano que usa este livre arbítrio tanto para amar e servir a Deus nessa vida, quanto para merecer uma morte inimaginavelmente feliz, dando a Deus glória sem fim na próxima vida.

E como o homem ama e serve a Deus nesta vida? Obedecendo a Seus mandamentos (Jo. XV, 10), que constituem a estrutura moral do bem e do mal para todos os atos humanos, estrutura que os homens podem desafiar, mas não escapar. Se eles realmente desafiarem-na, colocar-se-ão em maior ou menor desarmonia com Deus, com eles mesmos e com o próximo, porque Deus não criou essa estrutura arbitrariamente, mas em perfeita harmonia com Sua própria natureza e com a natureza humana, por Ele limitada a agir em conformidade com essa Sua natureza divina.

Agora a arte pode ser definida em seu sentido mais amplo como qualquer confecção de materiais (por exemplo, pinturas, palavras, notas musicais, etc.) com os quais o homem se preocupa em comunicar aos demais o que tem em sua mente e em seu coração. Assim, se a mente e o coração pertencem a uma alma que a qualquer momento pode estar em maior ou menor harmonia com a estrutura moral projetada por Deus para todos seus atos, então toda a produção advinda desta alma está fadada a refletir a objetiva harmonia ou a desarmonia em relação a essa estrutura. Eis que agora estamos em condições de responder às nossas questões iniciais.

As artes modernas são tão feias porque todas as almas modernas pertencem a uma sociedade global que está caindo, cada dia mais profundamente, na apostasia, tanto que grande e influente parte dessas almas está em guerra contra Deus, consciente ou inconscientemente. As produções artísticas de almas imersas em tal ambiente só podem refletir sua desarmonia interna com Deus, consigo mesma e com o próximo, razão pela qual são tão feias. Somente de alguma harmonia genuína que ainda resta nessas almas é que algo genuinamente belo pode proceder. Toda essa arte moderna, de falsa beleza, provém de um desejo desarmonioso de dissimular harmonia, motivo por que seu efeito seja sempre de alguma forma falso ou sentimental, não autêntico ou de arte de segunda ou terceira classe.

Por outro lado, se Deus e a alma imortal, que Dele provém e que a Ele deve voltar, são mera ficção, então não há nenhuma razão para que a beleza não deva ser feia e a feiúra, bela. Essa é a mentalidade dos artistas modernos. Mas a partir do momento em que reconheço seus feios artefatos como, de fato, feios, relembro então que há uma estrutura – cuja autoria não lhes pertence – que eles estão a desafiar.

Kyrie eleison.

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